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Através dos sonhos
sambamos cegos
de tanto néctar.
As raízes rugem
anunciando o sol.

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Uma flor me abriu no meio
e eu quero seu mistério.
Venho das chamas anunciar
a pressa em ser a presa
que nunca se encerra.

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Desejo de terra.
Viver o risco da beleza
nas paixões desordenadas.
Vertigem ágil entre
a garganta e o naufrágio.

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Cultuar o calor.
Deter a violência
camuflada de mito.
Metamorfoses
contra metralhadoras.

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Fios elétricos
e cercas vivas.
Década bailarina
que se despe
entre abismos.

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A biologia é fraca
quando o mormaço dói.
Mas as veias resistem
na onça-pintada
submersa no crepúsculo.

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Naquela tarde
nos sugamos
como tangerinas.
Flechas feridas
derramadas no pomar.

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A teus pés
sou bumerangue
arrepio, penugem.
Lobo-guará no
mel da intuição.

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Sensação de savana.
Sigo seus cabelos
tingidos de mato.
Carícias ágeis
e lábios de lança.

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Além do entendimento
borboletas no supermercado.
Eu vejo as lavandas
e me despeço desta
meditação no inferno.